A Importância do Aeroporto do Porto Santo nas Ligações Aéreas à Ilha da Madeira

Intervenção do Presidente da Câmara Municipal do Porto Santo, Idalino Vasconcelos, em Machico lida pela Ordem dos Engenheiros Técnicos, uma vez que não pôde ser deslocar à Madeira, nem se fazer representar, tendo em conta que a Cerimónia de Apresentação Pública as Comemorações dos 600 anos se realiza na mesma data, na ilha do Porto Santo.

“Em primeiro lugar, o Município do Porto Santo louva a iniciativa da Secção Regional da Madeira da Ordem dos Engenheiros Técnicos, que decidiu promover a discussão de várias propostas que contribuam para minimizar os impactos negativos da inoperacionalidade do aeroporto da Madeira.

A título de considerando, tenho de dizer que ficamos satisfeitos por ter acolhido, no último dia 10 de março de 2018, no Salão Nobre da autarquia do Porto Santo, a cerimónia de tomada de posse dos novos Delegados Concelhios da Ordem dos Engenheiros Técnicos onde iniciamos o pré-debate destas questões. Cumprimento, neste momento, o painel e os seus oradores, bem todos os membros da Ordem dos Engenheiros Técnicos e saudar pela visão estratégica que levou à realização deste fórum.

Em segundo lugar, a razão de não estar presente, hoje, neste fórum, prende-se com o facto de ter de estar no Porto Santo, para a apresentação oficial do Programa das Comemorações dos 600 anos do Descobrimentos do Porto Santo e da Madeira, ao lado do Governo Regional, tendo em conta que este evento assume uma fulcral importância para o Povo do Porto Santo e para a nossa pequena ilha.

Ora, julgo que chegou o tempo de iniciar este debate, tendo em conta a frequente inoperacionalidade do Aeroporto Internacional da Madeira Cristiano Ronaldo, devido a condicionalismos meteorológicos.
Se recuarmos um pouco é um facto que antes da entrada em funcionamento do aeródromo de Santa Cruz, o aeroporto de Porto Santo era a porta de entrada por via aérea, para à altura denominado Distrito Autónomo do Funchal.

Nos últimos tempos, tal como antes, o aeroporto de Porto Santo, tem sido a solução na resposta aos constrangimentos meteorológicos do aeroporto da Madeira. Perante essas situações de contingência e sem qualquer tipo de planeamento pela origem das mesmas, a verdade é que a infraestrutura aeroportuária da nossa ilha e os recursos humanos que aí desenvolvem a sua atividade profissional têm, com mérito, evitado muitas vezes males maiores para a economia da ilha da Madeira.

Acredito que o Porto Santo é uma alternativa viável ao Aeroporto da Madeira, no entanto julgo que devem ser estudadas a fundo as diversas alternativas que podem ser criadas aos passageiros que ficam temporariamente impedidos de entrar ou sair da Ilha da Madeira. Sendo assim facilmente se conclui que com operações devidamente planeadas a operacionalidade do Aeroporto de Porto Santo responderá positivamente para o aumento significativo de tráfego que se prevê, podendo mesmo ser um “prolongamento” do condicionado aeroporto da Madeira.
É tempo de encontrarmos juntos, a nível de Municípios, a nível de Governo Regional e outras instituições, nomeadamente com a OET, Aeroportos, operadores, agentes económicos, seguradoras e hoteleiros, para encontrar as melhores soluções comuns e no exclusivo interesse do arquipélago da Madeira.

Sabemos que a pista do aeroporto do Porto Santo está traçada no sentido norte-sul e permite a operação e trânsito de aeronaves quando o aeroporto da madeira se encontra inoperacional. Durante este debate, iremos encontrar soluções que passam por contornar esses obstáculos que existem atualmente.

No meu entendimento, é importante dotar o Aeroporto do Porto Santo com melhores condições. Uma antecipação das obras, ao que julgamos saber, previstas no caderno de concessão, deverá ser o primeiro passo, nomeadamente com a ampliação da área de chegadas, por via das mais morosas e complicadas operações extra-Schengen, assim como a ampliação da zona de tratamento de bagagem. A plataforma de estacionamento de aeronaves, com um a ligeira ampliação e apenas por razões de segurança, sem necessidade de reforço no pavimento será suficiente para aumentar significativamente a sua capacidade.

Devemos considerar ainda os tempos de espera dos passageiros, que não chegaram aos seus destinos, por força das condições atmosféricas e fazer desse facto uma oportunidade para conhecer o Porto Santo. Parece-me ser fulcral agarrar nesta oportunidade para que esses turistas possam, através da sua curta estadia na ilha dourada, criar a vontade de voltar à ilha, num outro momento para férias. Daí ser importante discutir esta situação com os agentes locais.

Relativamente à questão das transferências de passageiros, por outra via, neste caso a marítima, também é importante pensar na forma. Melhores condições do Porto do Porto Santo, a própria ligação em si, a questão da segurança e o conforto para os passageiros que se viram privados de chegar ao seu destino por via aérea são assuntos que merecem ser fortemente debatidos.

Se a infraestrutura aeroportuária apresenta condições favoráveis a esse possível aumento de trafego, por outro lado o parque hoteleiro também deverá corresponder com preços competitivos com cunho de investimento, para não acontecer o que ainda há pouco tempo se verificou com aeronaves a divergirem da Madeira para o aeroporto de Faro, alegadamente porque os preços aí praticados eram bem inferiores aos dos hotéis do Porto Santo e estamos a falar de pleno Inverno. A mesma atenção terá que se verificar nos preços a praticar no transporte marítimo inter-ilhas. Por isso é necessário refletir a própria capacidade hoteleira da ilha.

Basta uma conjugação de vontades de operadores para além da visão, aqui demonstrada pela Ordem dos Engenheiros Técnicos, mas que tem que ser interiorizada e assumida pelas entidades administrativas com responsabilidade na área dos transportes aéreos, a qual que terá que estender-se ao concessionário dos aeroportos portugueses, para que se tome uma medida que irá potenciar a territorialidade da Região Autónoma, tanto mais que, para aqueles que continuam desatentos, a Região Autónoma da Madeira, não se inicia na ponta de São Lourenço, mas sim na Terra Chã e termina na Ponta do Pargo.

Hoje como há seiscentos anos, desenvolver a economia do Porto Santo é desenvolver a Madeira, por isso louvo novamente esta iniciativa.
Bem hajam a todos.
Muito obrigado,”
Idalino Vasconcelos
Presidente da Câmara Municipal do Porto Santo – 20/03/2018

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