Intervenção na sessão solene do Dia do Achamento

Sr. Presidente da República, Sua Excelência,
Sr. Representante da República, Excelência,
Sr. Presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, Excelência,
Sr. Presidente do Governo Regional da Madeira, Excelência,
Sr. Bispo do Funchal, Excelência Reverendíssima
Sr. General, Comandante da Zona Militar da Madeira, Excelência,
Exmo. Sr. Presidente da Comissão Executiva das Comemorações dos 600 anos,
Exmas. Senhoras e Senhores Autarcas,
Exmos representantes de entidades civis, militares e religiosas,
Caras e caros convidados,
Povo do Porto Santo

Permitam-me que inicie esta intervenção, com uma saudação e cumprimento caloroso, em nome de todos os porto-santenses, a sua Excelência, o Presidente da República, professor Marcelo Rebelo de Sousa, por ter aceite o convite da Presidência da Câmara Municipal e do Governo Regional para, connosco, assinalar esta data única e histórica.
É com enorme orgulho que cumprimento todas as entidades presentes, civis, militares e religiosas, ciente da importância da comemoração desta data e da distinta presença da mais alta figura do Estado Português, o Presidente da República.
A sua presença neste pequeno território português é a garantia absoluta da notoriedade que irá ultrapassar as fronteiras da nossa Região Autónoma e de Portugal.
Independentemente da discussão e precisão histórica, comemoramos, nesta data, aquilo que se aceita ser, o descobrimento desta Ilha que conta com SEIS SÉCULOS DE HISTÓRIA.
Foi aqui, em 1418, com a descoberta desta ilha, que teve início a GLORIOSA EPOPEIA DOS DESCOBRIMENTOS PORTUGUESES, assinalando-se no mapa aquela que viria a ser batizada de Porto Santo, pelo facto de ter proporcionado aos nossos navegadores, um porto seguro em dias de tempestade. Foi esta a primeira ilha portuguesa a ser povoada e, foi também aqui, que o navegador Cristóvão Colombo, preparou a viagem da DESCOBERTA DA AMÉRICA.

Sr. Presidente da República,
É uma verdade absoluta que este território tem enfrentado dificuldades constantes, privações e sucessivos abandonos ao longo de 600 anos. Apesar de viver com grandes dificuldades, isolados, à seca, com vários saques de piratas, sem recursos, a prova da persistência dos porto-santenses está no seu espírito resiliente, engenhoso que aplicaram na construção, na agricultura, na pesca e ainda tivemos tempo para criar canções, romagens, comidas e outras tradições locais.

POR ESSE MOTIVO, RESISTIMOS E CHEGAMOS ATÉ AQUI. É ISSO QUE HOJE CELEBRAMOS.

Uma humilde canção, “Porto Santo” de Maximiano de Sousa, deu a conhecer a nossa ilha ao mundo, de uma forma genuína. Essa canção é uma homenagem aos atributos desta ilha, que nos fala do mar, da praia, da uva, das noites de Verão, do sossego, dos moinhos de vento, DE TUDO O QUE NOS APELA À MEMÓRIA DO PORTO SANTO.

Sr. Presidente da República,
Existem ainda dificuldades e arestas a limar, que teimam em persistir, por via de uma realidade que se faz sentir de DUPLA INSULARIDADE, ou mesmo por via de uma forte SAZONALIDADE. Todavia, os porto-santenses conhecem bem as agruras da DUPLA INSULARIDADE. Uma condição que nos traz, frequentemente, dificuldades em vários aspetos, principalmente, na questão da mobilidade, quer aérea, quer marítima.
Preocupam-nos questões como os TRANSPORTES MARÍTIMOS REGIONAIS E AS SUAS LIGAÇÕES INTER-ILHAS, que nos priva de transporte marítimo regular, todos os anos, durante o mês de janeiro.
Preocupam-nos as questões ligadas aos transportes aéreos que merecem a devida atenção da República, por várias razões, mas principalmente, pelo peso das TAXAS AEROPORTUÁRIAS que oneram substancialmente o custo final das ligações aéreas.
Preocupam-nos as questões ligadas à GARANTIA DA CONTINUIDADE TERRITORIAL quando se suprime as ligações aéreas com o território nacional, que deveria ser um valor absoluto de uma TRANSPORTADORA AÉREA PORTUGUESA.
Preocupam-nos as questões LIGADAS AO DESEMPREGO E À FORMAÇÃO PROFISSIONAL, bem como o envelhecimento da população e a falta de massa crítica nesta ilha.
No entanto, apesar disso, quem conheceu o Porto Santo, sabe que houve uma evolução, especialmente, após o 25 de abril. Evoluímos substancialmente nas acessibilidades, nas infraestruturas, na educação, no acesso à cultura, nos serviços de saúde, na salubridade, na segurança…, contudo, precisamos de estímulos constantes, regionais e nacionais, que sustentem um futuro coerente e solidário, diminuindo assim a DUPLA INSULARIDADE de quem aqui vive e trabalha.

Sr. Presidente da República,
Quem tem acesso imediato a questões fundamentais como mobilidade, cultura, saúde ou mesmo educação não sabe o que é viver numa ilha como a nossa. Não sabe o que é sentir na pele o peso dupla insularidade.
NÃO SABE, PORQUE NÃO SENTE. NÃO SABE PORQUE NÃO O VIVE, NÃO SABE PORQUE NÃO É UM “ILHÉU”.

Minhas senhoras e meus senhores, caros convidados,
Tal como os nossos navegadores que há 600 anos se lançaram ao mar, com coragem, fé e tenacidade, os porto-santenses vivem e trabalham no Porto Santo, cientes destes valores que permanecem intocáveis, mas que esperam das entidades públicas o RECONHECIMENTO DA COESÃO DO TERRITÓRIO PORTUGUÊS, GARANTINDO O PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE TERRITORIAL.
O “Movimento pelo Interior”, liderado pelo Município da Guarda, em nome dessa coesão, conta com o alto patrocínio de Vossa Ex.ª.
Este Movimento defende “QUE SE IMPÕE UMA NOVA FORMA DE LUTAR E DE COMBATER AS INJUSTIÇAS ECONÓMICAS E SOCIAIS”. Reconhecendo as nossas fragilidades, e sendo parte integrante de um todo Nacional, este território também necessita do patrocínio da Presidência da República, em nome da coesão territorial e no combate às injustiças que nos são acometidas por termos simplesmente nascido num território envolto por um vasto oceano.
FOMOS E SOMOS IMPORTANTES NA AFIRMAÇÃO DA NOSSA PORTUGALIDADE.
Devemos lembrar que o Porto Santo foi fundamental nos Descobrimentos Marítimos Portugueses, que marcaram a nobre epopeia de Portugal ficando ligado às mais notáveis conquistas da nossa História e isso enche-nos de orgulho.
Por isso, devo dizer que esta REGIÃO ULTRAPERIFÉRICA, merece toda a consideração e apoio da Região Autónoma, da República e da União Europeia, PORQUE AQUI TAMBÉM É PORTUGAL E AQUI VIVEM PORTUGUESES.
Esta comemoração conjunta entre o Porto Santo e a Madeira torna-nos mais coesos, cientes da nossa singularidade de ilhéus, mas é a oportunidade para o Porto Santo lançar definitivamente projetos de desenvolvimento futuro, tornando a ilha cada vez mais atrativa, NÃO SÓ PARA VISITAR, MAS SOBRETUDO PARA VIVER.
Sr. Presidente da República,
Estamos a dar passos largos, de forma articulada, entre Município e Governo Regional, numa CANDIDATURA DO PORTO SANTO A RESERVA DA BIOSFERA.
Será, sem dúvida, a forma de conseguirmos dar um impulso, na promoção e no desenvolvimento do Porto Santo, salvaguardando os nossos valores patrimoniais e o nosso legado de 600 anos de história.
Tal DISTINÇÃO por parte da UNESCO, a par do inovador projeto ”Porto Santo Sustentável” do Governo Regional, É FUNDAMENTAL para dinamizar uma estratégia que vise o desenvolvimento sustentável do nosso destino turístico. ESTAMOS NO BOM CAMINHO.
É justo o reconhecimento, seis séculos volvidos, a todos OS NAVEGADORES PORTUGUESES, AOS NOSSOS HOMENS DO MAR E AOS NOSSOS ANTEPASSADOS, que aqui viveram e nos deixaram este legado.
É pertinente esta homenagem que acabamos de fazer ao Infante D. Henrique, a mais importante figura do início da era das Descobertas, mais conhecido como “O NAVEGADOR”.
Aproveito para lembrar a nossa diáspora, que vive momentos difíceis e envio, daqui, o nosso abraço fraterno e solidário, porque também fazem parte desta comemoração.
Termino como comecei, renovando o meu mais profundo agradecimento, em nome do Povo do Porto Santo, pela presença de Sua Excelência o Presidente da República e de todas as entidades locais, regionais e nacionais, saudando todos.
Muito obrigado a todos.

Porto Santo, Paços do Concelho, 1 de novembro de 2018
Idalino Vasconcelos | Presidente da Câmara Municipal do Porto Santo