Património Geológico


DISJUNÇÃO PRISMÁTICA DO PICO DE ANA FERREIRA

COTA: 125 m

AMBIENTE DOMINANTE: Vulcânico

ESTATUTO LEGAL:

proteção direta – sítio classificado como Imóvel de Interesse Regional, desde 1999;

proteção indireta - Património Científico (geológico) (de acordo com o PDM).

DESCRIÇÃO: No extremo NE do Pico de Ana Ferreira observa-se um espetacular conjunto de estruturas produzidas por disjunção prismática (ou colunar) originadas pelo lento arrefecimento do magma que consolidou em profundidade, no interior da conduta vulcânica.


CONJUNTOS DE FILÕES E RIZOCONCREÇÕES DOS MORENOS

COTA: 110 m

AMBIENTE DOMINANTE: Vulcânico

ESTATUTO LEGAL: proteção indireta - Zonas Florestais; Zonas Naturais de Uso Fortemente Condicionado (de acordo com o PDM).

DESCRIÇÃO: A zona dos Morenos, localizada no extremo SW da ilha do Porto Santo, caracteriza-se pelas suas arribas litorais que exibem uma expressiva rede de filões que cortam rochas vulcânicas de natureza submarina (na base) a subaéreas (para o topo), onde se observam estruturas com disjunção prismática, localmente denominadas de “pedra navalheira”, tanto nos filões de natureza basáltica como traquítica.


LAVAS EM ALMOFADA E DISJUNÇÃO ESFEROIDAL DO ZIMBRALINHO

COTA: 2 m

AMBIENTE DOMINANTE: Vulcânico

ESTATUTO LEGAL: proteção indireta - Zonas Naturais de Uso Fortemente Condicionado (de acordo com o PDM).

DESCRIÇÃO: O Zimbralinho, localizado no extremo SW da ilha do Porto Santo, corresponde a uma pequena baía onde se podem observar litologias das sequências vulcânicas submarinas, nomeadamente as lavas em almofada ou “pillow lavas”. Estas estruturas ilustram uma fase inicial de evolução geológica da Ilha do Porto Santo em que o vulcanismo ainda se desenvolvia debaixo de água.


RECIFES FOSSILIZADOS E GALERIAS DO ILHÉU DA CAL

COTA: 179 m

AMBIENTE DOMINANTE: Vulcânico

ESTATUTO LEGAL: proteção indireta - Património Científico (geológico); Zonas Naturais de Uso Interdito (de acordo com o PDM).

DESCRIÇÃO: O Ilhéu de Baixo ou da Cal, localizado a SW da ilha do Porto Santo, correspondeu, em tempos, a uma das extremidades da ilha e a sua separação deu-se por erosão. Neste ilhéu podem observar-se várias extensas galerias, artificialmente escavadas no que foram há cerca de 15 milhões de anos (Miocénico Médio), recifes de colónias de corais e areias da acumulação dos seus restos esqueléticos, na altura em que o edifício vulcânico passou de montanha submarina a ilha.

Todo o Ilhéu da Cal e região marinha circundante tem estatuto de proteção no âmbito da Rede de Áreas Marinhas Protegidas do Porto Santo (Sítio de Importância Comunitária PTPOR0001 – Ilhéus do Porto Santo) sob a tutela do Parque Natural da Madeira.


TUBOS DE LAVA DO ILHÉU DE CIMA

COTA: 50 m

AMBIENTE DOMINANTE: Vulcânico

ESTATUTO LEGAL: proteção indireta - Património Científico (geológico); Zonas Naturais de Uso Interdito (de acordo com o PDM).

DESCRIÇÃO: O Ilhéu de Cima, ou do Farol ou ainda dos Dragoeiros, localizado a SE da ilha do Porto Santo, correspondeu em tempos a uma das extremidades da ilha e a sua separação deu-se por erosão. Nas vertentes viradas a oeste deste ilhéu podem observar-se antigos tubos de lava, localmente designados por “Pedra do Sol” pela estrutura raiada que apresentam, tendo sido formados a partir de correntes de lava que escorreram a elevadas temperaturas pelas encostas de antigos edifícios vulcânicos.

Todo o Ilhéu de Cima e região marinha circundante tem estatuto de proteção no âmbito da Rede de Áreas Marinhas Protegidas do Porto Santo (Sítio de Importância Comunitária PTPOR0001 – Ilhéus do Porto Santo) sob a tutela do Parque Natural da Madeira.


CABEÇO DAS LARANJAS DO ILHÉU DE CIMA

COTA: 1 a 40 m

AMBIENTE DOMINANTE: Vulcânico

ESTATUTO LEGAL: proteção indireta - Património Científico (geológico); Zonas Naturais de Uso Interdito (de acordo com o PDM).

DESCRIÇÃO: No lado oriental da ponta nordeste do Ilhéu de Cima, o “Cabeço das Laranjas” apresenta uma espetacular concentração de fósseis (Miocénico) de algas vermelhas (rodólitos), por vezes atingindo grandes dimensões (20 cm), localmente conhecidos como “laranjas” eventualmente pelo aspeto exterior e pela cor que, por vezes, apresentam.

Todo o Ilhéu de Cima e região marinha circundante tem estatuto de proteção no âmbito da Rede de Áreas Marinhas Protegidas do Porto Santo (Sítio de Importância Comunitária PTPOR0001 – Ilhéus do Porto Santo) sob a tutela do Parque Natural da Madeira.


EOLIANITOS DA SERRA DE FORA

COTA: 15 m

AMBIENTE DOMINANTE: Sedimentar

ESTATUTO LEGAL: proteção indireta - Zonas Naturais de Uso Fortemente Condicionado (de acordo com o PDM).

DESCRIÇÃO: A zona costeira da Serra de Fora, localizada no setor E da ilha do Porto Santo, apresenta no litoral oriental do Porto dos Frades espessas rochas calcoareníticas, as quais se incluem na designada Formação Eolianítica. Esta Formação, de idade Quaternária, apresenta uma cor amarelo- esbranquiçada e é composta essencialmente por fragmentos de conchas de micro-organismos marinhos, moluscos e algas calcárias.

Todo este setor litoral tem estatuto de proteção integrado na região envolvente ao Ilhéu de Cima, no âmbito da Rede de Áreas Marinhas Protegidas do Porto Santo (Sítio de Importância Comunitária PTPOR0001 – Ilhéus do Porto Santo) sob a tutela do Parque Natural da Madeira.


SALÃO DA SERRA DE DENTRO (NAVALHÃO-BAIÃO)

COTA: 100 m

AMBIENTE DOMINANTE: Sedimentar

ESTATUTO LEGAL: proteção indireta - Zonas Naturais de Uso Condicionado (de acordo com o PDM).

DESCRIÇÃO: Os depósitos de salão e/ou massapez, designação local para um tipo de argila, a bentonite, ocorrem particularmente no setor E da ilha do Porto Santo, sendo que os mais representativos localizam-se na Serra de Dentro. Estes depósitos bentoníticos resultam da intensa alteração (argilitização) de brechas vulcânicas submarinas (os hialoclastitos), do denominado Complexo Antigo da Ilha (16 a 10 milhões de anos).


NÍVEIS FOSSILÍFEROS DO LOMBINHO DA SERRA DE DENTRO

COTA: 110 m

AMBIENTE DOMINANTE: Sedimentar

ESTATUTO LEGAL: proteção indireta - Zonas de Paisagem Humanizada a Proteger (de acordo com o PDM).

DESCRIÇÃO: Vários afloramentos fossilíferos ocorrem no setor NE da ilha do Porto Santo, mais especificamente no Lombinho. Estes afloramentos correspondem a calcários compactos alternando com calcários detríticos, calcirrudíticos a calcareníticos, imaturos e amarelados, que surgem por entre espessas sequências de hialoclastitos. Aqui podem ser observados organismos marinhos de pequena profundidade, nomeadamente corais solitários e corais recifais, rodólitos (“laranjas”) e vários moluscos de águas quentes (por ex. Spondylus) com cerca de 15 a 14 milhões de anos (Miocénico Médio).




DISJUNÇÃO PRISMÁTICA DO PICO BRANCO

COTA: 200 m

AMBIENTE DOMINANTE: Vulcânico

ESTATUTO LEGAL: proteção indireta - Património Científico (geológico); Zonas a Florestar (de acordo com o PDM).

DESCRIÇÃO: O Pico Branco, o segundo mais alto da ilha do Porto Santo, localiza-se no setor NE, mais especificamente na Serra de Dentro. Apresenta rochas de natureza vulcânica ácida (traquitica e riolítica), de cor cinzenta claro, com evidente disjunção prismática, localmente denominada de Rocha Quebrada.

A área do Pico Branco e Terra Chã integra a rede europeia de sítios de interesse comunitário – Rede Natura 2000, Diretiva Habitats, por apresentar endemismos de flora e fauna (moluscos gastrópodes terrestres).


HIALOCLASTITOS DO PICO DA CABRITA

COTA: 223 m

AMBIENTE DOMINANTE: Vulcânico

ESTATUTO LEGAL: proteção indireta - Zonas Florestais (de acordo com o PDM).

DESCRIÇÃO: O Pico da Cabrita localiza-se no setor N da ilha do Porto Santo, mais especificamente no Pedregal de Fora. A rocha que o forma é de origem vulcânica submarina (hialoclastito), constituída por fragmentos angulosos lávicos, de tamanho e cor variável, com textura vítrea a porosa com auréola de alteração devido ao contacto brusco com a água do mar, e consolidada ainda a quente numa brecha multicolorida.


CONJUNTOS DE FILÕES DO PORTO DAS SALEMAS

COTA: 70 m

AMBIENTE DOMINANTE: Vulcânico

ESTATUTO LEGAL: proteção indireta - Zonas Naturais de Uso Fortemente Condicionado (de acordo com o PDM).

DESCRIÇÃO: O Porto das Salemas localiza-se no setor N da ilha do Porto Santo, mais especificamente na Camacha. As arribas abruptas desta costa são constituídas por formações vulcânicas piroclásticas representadas por tufos, brechas e escórias de natureza basáltica submarina, datadas do Miocénico Inferior. Os tufos encontram-se cortados por uma densa rede filoniana de rochas magmáticas extrusivas resultantes da consolidação de lava no interior das condutas que alimentaram um importante campo de vulcões à superfície, há muito erodidos.


EOLIANITOS DA FONTE DA AREIA

COTA: 100 m

AMBIENTE DOMINANTE: Sedimentar

ESTATUTO LEGAL: proteção indireta - Património Científico (geológico); Zonas Naturais de Uso Fortemente Condicionado (de acordo com o PDM).

DESCRIÇÃO: A Fonte da Areia localiza-se no setor N da ilha do Porto Santo, mais especificamente na Camacha. Aqui encontram-se extensas acumulações de arenitos biogénicos carbonatados, de idade Quaternária, que chegam a atingir os 40 metros de desenvolvimento vertical, classificados como Formação Eolianítica, dada a sua acumulação pelo vento. Os eolianitos são a rocha mãe da atual areia da Praia do Porto Santo, cujas partículas arenosas, de natureza organoclástica (cerca de 95%), na sua larga maioria constituídos por fragmentos de conchas de moluscos, de placas e espículas de equinodermes, algas calcárias e foraminíferos, são uma herança das condições de grande produtividade marinha que terá existido na plataforma insular que existe em torno da Ilha do Porto Santo, durante a Última Glaciação que decorreu entre 110 a 11 mil anos.


AREIAS BIOGÉNICAS CARBONATADAS, FOSSILÍFERAS, DA PRAIA DO PORTO SANTO

COTA: 1 m

AMBIENTE DOMINANTE: Sedimentar

ESTATUTO LEGAL: proteção indireta - Zonas Naturais de Uso Recreativo (de acordo com o PDM).

DESCRIÇÃO: A praia do Porto Santo, com uma extensão de cerca de 9 km, localiza-se no setor S da ilha do Porto Santo. As suas areias de tom amarelado são únicas no contexto das praias de Portugal continental e insular dada a sua origem biológica e aos processos geológicos que, durante milhares de anos, as transformaram de areia em rocha e, novamente, em areia. São o resultado direto da erosão dos eolianitos que ainda ocorrem em vários setores da ilha.

Para além duma pequena percentagem de grãos de origem vulcânica (de tom escuro) e uma ainda menor percentagem de fragmentos de conchas atuais (de tons esbranquiçados ou coloridos), a grande maioria dos seus grãos tem, atualmente, uma patine amarelada ou dourada (de óxidos de ferro) que lhe foi conferida pela passagem por um ciclo sedimentar geológico completo.

Estudos científicos relativamente às propriedades físicas, químicas e térmicas destas areias confirmam os benefícios terapêuticos das mesmas em certas afeções de saúde.


PONTA DO PASSO-INCÃO

COTA: 200,7 m

AMBIENTE DOMINANTE: Vulcânico

ESTATUTO LEGAL: proteção indireta - Zonas Naturais de Uso Fortemente Condicionado (de acordo com o PDM).

DESCRIÇÃO: A zona costeira do setor SE da ilha do Porto Santo, especificamente na denominada Ponta do Passo e no Incão podem-se observar espessas sequências de rochas lávicas básicas com intercalações de terraços marinhos e níveis sedimentares com fósseis. A cortar este conjunto ocorrem estruturas tectónicas (falhas) e filões e no topo do chamado Pico de Baixo observam-se rochas ácidas traquítico-riolíticas, com disjunção prismática. Nas vertentes persistem preservadas antigas superfícies constituídas por rególitos peri- glaciários intercalados em vestígios de edifícios dunares de eolianito.

Todo este setor litoral tem estatuto de proteção integrado na região envolvente ao Ilhéu de Cima, no âmbito da Rede de Áreas Marinhas Protegidas do Porto Santo (Sítio de Importância Comunitária PTPOR0001 – Ilhéus do Porto Santo) sob a tutela do Parque Natural da Madeira.


DOMO TRAQUÍTICO DO PICO DO CASTELO

COTA: 437 m

AMBIENTE DOMINANTE: Vulcânico

ESTATUTO LEGAL: proteção indireta - Zonas Florestais; Áreas de Vegetação Autóctone (de acordo com o PDM).

DESCRIÇÃO: O Pico do Castelo localiza-se no setor central E da ilha do Porto Santo. Corresponde a uma antiga chaminé vulcânica estando exposto, devido à erosão diferencial, um domo traquítico, com orientação geral SE-NW. Os vulcões do Porto Santo já foram erodidos há muito tempo, sendo que as estruturas atuais são morfologias parecidas (cónicas) devido às rochas das condutas de antigos aparelhos vulcânicos serem mais resistentes à erosão. Este local é um ponto estratégico onde se obtém uma panorâmica, entre outras, da região aplanada central, onde se depositaram os eolianitos calcareníticos; a SW a praia cuja cujos sedimentos resultaram do desmantelamento dos eolianitos; do Ilhéu de Baixo, o mais ocidental do Porto Santo; dos Picos de Ana Ferreira e do Espigão, no domínio ocidental.


CONE DE ESCÓRIAS DO CABEÇO DE BÁRBARA GOMES

COTA: 227 m

AMBIENTE DOMINANTE: Vulcânico

ESTATUTO LEGAL: proteção indireta - Zonas Naturais de Uso Condicionado (de acordo com o PDM).

DESCRIÇÃO: O Pico de Bárbara Gomes, localizado no setor W da ilha do Porto Santo, constitui como que um afloramento-ilha de material vulcânico, coberto, essencialmente por depósitos eolianíticos calcareníticos. Os vulcanitos que afloram no Pico de Bárbara Gomes são essencialmente basalto e escória correspondentes às sequências subaéreas da ilha.


FILÃO DO PICO DO ESPIGÃO

COTA: 270 m

AMBIENTE DOMINANTE: Vulcânico

ESTATUTO LEGAL: proteção indireta - Zonas a Florestar (de acordo com o PDM).

DESCRIÇÃO: O Pico do Espigão, localizado no setor SW da ilha do Porto Santo, exibe um magnífico filão de rocha de composição intermédia (mugearito), com cerca de 12,7 a 12, 5 Ma, que corta afloramentos de escórias de composição basáltica.

No Pico do Espigão funcionou, em tempos, um posto de observação de baleias.


DISJUNÇÃO PRISMÁTICA DO PICO DE JULIANA

COTA: 443 m

AMBIENTE DOMINANTE: Vulcânico

ESTATUTO LEGAL: proteção indireta - Zonas Florestais; Áreas de Vegetação Autóctone (de acordo com o PDM).

DESCRIÇÃO: O Pico de Juliana localiza-se no setor N da ilha do Porto Santo, mais especificamente na zona do Moledo. Corresponde a uma das unidades vulcânicas mais recentes, com cerca de 10,6 Ma. Exibe uma agulha vulcânica, formada pela solidificação do material vulcânico dentro da chaminé, onde se pode observar evidente disjunção prismática (ou colunar). Devido à erosão diferencial, em que foram removidos os materiais menos resistentes, esse material encontra-se exposto. As chaminés apresentam-se como relevos residuais salientes, de forma circular e vertentes muito declivosas.


CHAMINÉ VULCÂNICA DO PICO DO FACHO

COTA: 517 m

AMBIENTE DOMINANTE: Vulcânico

ESTATUTO LEGAL: proteção indireta - Zonas Florestais; Áreas de Vegetação Autóctone (de acordo com o PDM).

DESCRIÇÃO: O Pico do Facho, localizado no setor E da ilha do Porto Santo, corresponde ao relevo mais elevado da ilha, com 517 metros. Tal como o Pico de Juliana, o Pico do Facho pertence ao conjunto das unidades vulcânicas mais recentes, com cerca de 10,6 Ma. Exibe uma agulha vulcânica, formada pela solidificação do material vulcânico dentro da chaminé, onde se pode observar disjunção prismática (ou colunar) menos bem definida que no Pico de Juliana devido, provavelmente, a ter sofrido um arrefecimento mais rápido.

[textos extraídos de FERREIRA, M. R. (2013). Património Geológico da Ilha do Porto Santo e Ilhéus Adjacentes (Madeira): Inventariação, Avaliação e Valorização como contributo para a Geoconservação]


PageLines